segunda-feira, maio 21, 2007

taquicardia

Eu estou com medo. Estou apavorada, para dizer a verdade. Meu coração disparou há alguns minutos, taquicardia, minhas mãos estão geladas e trêmulas. Eu não consigo pensar direito, não consigo raciocinar, não consigo, não consigo... Estou numa paranóia frenética. Já senti isso antes. Algumas vezes, muitas vezes.

O coração encaixotado, esmagado por concreto... Meto as mãos por dentro da blusa e arrasto com dedos e unhas tudo o que possa estar causando essa sensação de opressão. Arranco pele e carne. Ardem um pouco, arranhões, ardem e sangram...Mas não adiantam. Talvez se fossem mais profundos... Mas não tenho forças, e nem coragem, para desencaixotá-lo do meu peito: remover músculos e ossos. Também, sei que não adiantaria, não é físico o que eu sinto, Olho pra trás e pros lados, paranóia, paranóia. A taquicardia continua... Mãos trêmulas, nem consigo escrever direito. Sinto que vou ser apunhalada a qualquer momento. Vou, numa esquiva às avessas, de encontro ao punhal. Quero sentir a doce dor do ferro frio me cortando a carne e adentrando meus músculos e órgãos. Sentir o jorro quente do meu próprio sangue derramado.Morrer devagar...

Não, a morte não me assusta...

Ainda taquicardia... Mas não é verdade. É tudo alucinação, paranóia... Paranóia.

Preciso de remédios e comprimidos, antidepressivos...

O mundo paralelo parece tão mais real.

" Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?

É esse! É esse!

Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;

E então será dia.

Sorri, dormindo, minha alma!

Sorri, minha alma, será dia!"

Fernando Pessoa 7-11-1933