segunda-feira, maio 21, 2007

Fool

Dessa vez ele não quis saber e continuou andando. Não queria saber de nada, de mais nada. Não estava acostumado àquilo, mas era necessário. Decidiu, e é assim que deveria ser. Não queria ter hora pra voltar. A noite estava agradável e dessa vez iria deixar que a vida o guiasse.

Ouvia uma música em algum lugar dentro de si e iria dançar a noite toda. Dançar sozinho mesmo, pelas ruas de paralelepípedo, numa alusão seca aos antigos musicais. Feliz consigo mesmo. Aquela noite libertou a si mesmo e libertou também, pedaços de sua vida, que por muito tempo acreditara que fossem sua vida inteira. Não, a intenção não era deixar ninguém nem nada pra trás. A intenção era seguir em frente dançando... rodopiando, pulando ... com um sorriso bobo no rosto.

Seu sorriso e sua atitude de peito aberto à vida convidava a todos para aquela aventura. Gritava a plenos pulmões convocando a vizinhança toda para aquela algazarra!!

Luzes acendiam-se nos prédios, alguns desceram e juntaram-se à sua festa depois, cada um seguiu seu caminho. Cada um com sua própria festa interior. Outros gritavam impropérios de sua varandas e janelas, esbravejavam e fechavam as janelas. Mas não importavam os gritos! Nada conseguia abafar a música que ouvia e que vinha de dentro! O coração ao saltos, dando cambalhotas exaltadas. E seguiu pela rua de paralelepípedos como a carta número zero do tarô: o bobo. Olhos vendados... seguiu o seu coração.