estranho
Daqui do alto eu posso ver bênçãos derramadas.
Sentir um cheiro bom de flores do campo,
Daqui do alto eu posso ver beleza demais...
Tanta Que meus olhos, desacostumados,
Ameaçam cegar diante dela.
Estranho...
Realmente estranho
Estranho porque entre tantas bênçãos
que nos cercam
insistimos em virar os olhos para dentro e para trás
num ritual autista,
masoquista...
e culpamos quem está por perto,
sádicos que somos.
Estranho sim.
Estranho porque entre belezas,
Talentos, carinhos.
E amizades tantas nos fechamos em suplício,
Em auto piedade num auto flagelo infinito...
num cansaço cômodo... Muito incômodo.
Estranho
porque sentimos o grito arranhando nossa garganta
mas o sufocamos por medo.
Nos acostumamos tanto com nossa dor
Com a nossa auto-culpa
e não nos permitimos o novo; o bom...
e ficamos apodrecendo
junto com o nosso passado.
E magoamos pouca gente que significa muito.
Estranho
Porque temos medo
Medo mesmo de sermos felizes
e ficamos remoendo mágoas,
e remexendo feridas
Ainda expostas demais por nossa teimosia
(medo de deixar cicatrizar. e com isso esquecer)
E estranho ,
Finalmente, estranho porque
Justo nós temos a consciência de que
Com um pouco mais de fé
Moveremos as montanhas interiores
Que nos impedem de ver o mar
e ouvir a nossa voz no grito do infinito
Com apenas um pouquinho mais de fé.




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