segunda-feira, maio 21, 2007

estranho

Daqui do alto eu posso ver bênçãos derramadas.

Sentir um cheiro bom de flores do campo,

Daqui do alto eu posso ver beleza demais...

Tanta Que meus olhos, desacostumados,

Ameaçam cegar diante dela.

Estranho...

Realmente estranho

Estranho porque entre tantas bênçãos

que nos cercam

insistimos em virar os olhos para dentro e para trás

num ritual autista,

masoquista...

e culpamos quem está por perto,

sádicos que somos.

Estranho sim.

Estranho porque entre belezas,

Talentos, carinhos.

E amizades tantas nos fechamos em suplício,

Em auto piedade num auto flagelo infinito...

num cansaço cômodo... Muito incômodo.

Estranho

porque sentimos o grito arranhando nossa garganta

mas o sufocamos por medo.

Nos acostumamos tanto com nossa dor

Com a nossa auto-culpa

e não nos permitimos o novo; o bom...

e ficamos apodrecendo

junto com o nosso passado.

E magoamos pouca gente que significa muito.

Estranho

Porque temos medo

Medo mesmo de sermos felizes

e ficamos remoendo mágoas,

e remexendo feridas

Ainda expostas demais por nossa teimosia

(medo de deixar cicatrizar. e com isso esquecer)

E estranho ,

Finalmente, estranho porque

Justo nós temos a consciência de que

Com um pouco mais de fé

Moveremos as montanhas interiores

Que nos impedem de ver o mar

e ouvir a nossa voz no grito do infinito

Com apenas um pouquinho mais de fé.