segunda-feira, maio 21, 2007

Escrever

Eu quero escrever. Quero escrever um grande tratado de amor e de amizade; de ódio e desrespeito. Uma Ode a felicidade, um cântico a melancolia. Um epopéia sobre a vida. A vida cotidiana: Do acordar ao deitar... do nascer ao morrer.

Falando de coisa simples, sem muita pompa. Falando de coisas que às vezes dão até raiva. Como acordar cedo e ir caminhando até a parada de ônibus. Como sentar à janela do ônibus e observar... observar as pessoas andando e imaginar coisas sobre cada um. Como será que cada um fala, se lava primeiro a cabeça ou a barriga, se geme muito alto quando faz amor... Quem será que amam, quantos será que odeiam.

Falar sobre toda a gente, abordar suas dores suas mágoas seus traumas. Falar de suas tramas , seus medos, seus desejos...

Abordando toda a humanidade. Desde o menino que está na esquina vendendo jornal até o médico que está no banheiro lendo o jornal. Entender a mulher que chegou do escritório e espera o marido para jantar, explicar a garota que acabou de ser jantada pelo marido de alguém.

Quero descrever a enorme ironia do destino, tentar traduzir a alma humana para bom português.

Quero mais! Quero falar de grandes estórias de amor, grandes mentes, grandes lutas humanitárias e grandes inventores. Quero falar dos assassinos e traficantes , dos chefes de estado. Dos heróis e dos frustrados.

Quero jogar com as palavras e através delas brincar de Deus, construir mundos inteiros para expurgar o demônio que há em mim.

Quero criar super-humanos de saúde e vida perfeitas cercados de dádivas por todos os lados, orgulhosos e ignorantes de Deus, quero criar sub-humanos vivendo em condições miseráveis, pobres coitados cheios de fé e que conseguem de alguma forma entender e alcançar a felicidade.

Um romance belíssimo sobre o dia-a-dia. Uma trilogia sobre os aromas e gostos cotidianos. Uma epopéia sobre a vida.