carta a renata
Mas, amiga, a razão teima em fugir não é? E essas lágrimas já não dissolvem tantos sentimentos. Mais fácil seria afogar-se nelas.
E o sentido pulsa alheio, sem hora pra dormir, sem hora pra trabalho... sem pausa pra descanso. O sentido é frenético, incansável sempre desejoso de mais.
Mais um sorriso, mais um copo, mais uma dança. Mais, mais, mais...
Inda assim, essa é a sensação mais curiosa que já senti. Acho que foi quando realmente descobri a vida, e a efemeridade do prazer.
Hoje, eu me sinto cansada. Cansada como alguém que carrega o fardo dos anos sobre os ombros, e o irônico é que eu sou tão jovem.
Eu, já nem quero mais tal razão, embora também não suporte ouvir conselhos (sábios conselhos)... preciso é de compreensão (mais minha que outra qualquer).
E de inocência... Mas não a inocência do bobo ignorante, da criança inconseqüente essa é uma inocência muito fácil e muito frágil.
Preciso da inocência e da serenidade só possível àqueles que já passaram por tudo e já perdoaram de tudo.
Uma inocência só possível àqueles que amam e têm fé.




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